PISA 2025 no Brasil: uma década passou e a aprendizagem não mudou o suficiente

Em artigo no Congresso em Foco, Gilberto Alvarez analisa os novos dados do PISA e questiona por que o Brasil continua parado no mesmo ponto.

Os números do PISA 2025 trazem um alerta. Dez anos seriam tempo suficiente para transformar uma geração de estudantes, mas no Brasil esse tempo passou sem a mudança que se esperava. É o que analisa Gilberto Alvarez, presidente da Fundação PoliSaber, em artigo publicado no Congresso em Foco sobre os resultados do PISA 2025.

Os dados do PISA 2025 no Brasil mostram um desempenho muito próximo ao registrado em 2015. Entre os estudantes de 15 anos, apenas 28% alcançaram a proficiência básica em Matemática, 49% em Leitura e 48% em Ciências. Em uma década, com reformas, investimentos e debates se sucedendo, os indicadores praticamente não se moveram — e é essa estagnação, mais do que qualquer nota isolada, que incomoda. Se tanto se discutiu sobre educação, por que a aprendizagem não avançou?

O que o PISA 2025 revela sobre a aprendizagem

Parte da resposta, propõe o autor, está no próprio sentido de aprender. Aprender não é apenas armazenar informações, mas reconhecê-las quando o problema aparece com outra forma. Ele recorre à imagem de uma caixa de ferramentas: de nada adianta possuí-las se o estudante não sabe qual usar diante de uma situação nova. É exatamente essa capacidade de aplicar o conhecimento em contextos diferentes que as avaliações internacionais tentam medir — e onde o Brasil ainda tropeça. O problema, portanto, não é só quanto se ensina, mas como esse conhecimento se converte em pensamento vivo, pronto para agir.

A esse desafio soma-se outro, mais silencioso. Entre 2015 e 2025, a distância entre estudantes favorecidos e desfavorecidos em Ciências aumentou, mostrando como a desigualdade social continua se traduzindo em desigualdade de aprendizagem. Ainda assim, há um dado que ilumina o caminho: cerca de 10% dos estudantes de contextos desfavorecidos superam o desempenho esperado — são os chamados academicamente resilientes, a prova de que a origem não precisa ser destino.

Do diagnóstico à ação

A provocação final do artigo é construtiva. Em vez de apenas lamentar os números, Alvarez sugere investigar onde a desigualdade começa e aprender com as escolas e instituições que superam as expectativas mesmo em cenários adversos. Compreender o que funciona nesses casos é o passo para transformar boas práticas em políticas educacionais que cheguem, de fato, à sala de aula. É nessa direção que caminha o trabalho da Fundação PoliSaber: fazer da educação uma ferramenta concreta de transformação e de ampliação de oportunidades.

Leia o artigo completo de Gilberto Alvarez no Congresso em Foco:
https://www.congressoemfoco.com.br/artigo/122582/uma-decada-passou-e-a-aprendizagem-nao-mudou-o-suficiente

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